China venceu? : O desafio chinês ao primado americano.
China venceu? : O desafio chinês ao primado americano. Livro de Kishore Mahbubani, ex-diplomata de Cingapura por mais de 30 anos e cientista político há pelos 15 anos. Atualmente, é professor de Prática de Políticas Públicas na Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew da Universidade Nacional de Cingapura. Publicado internacionalmente, no final de março deste ano, ainda não traduzido para o português, o qual li na versão publicada em inglês através do leitor digital Kindle que oferece o recurso de tradução. Ele escreveu essa obra para os americanos. O autor chega a um diagnóstico perturbador sobre os EUA, o qual desde o fim da Guerra Fria, após terem emergido como a única superpotência mundial, eles começaram a se autodestruírem, eles se tornaram seus piores inimigos, isso já dura três décadas e pelo que tudo indica à tendência é o agravamento desse declínio.
Do outro lado, observa-se a ascensão da China à posição de superpotência, projeto bem-sucedido ao longo dos últimos 40 anos, os quais tem sido de pleno e contínuo crescimento econômico. A competição dessas duas superpotências é a maior disputa geopolítica da história. Portanto, a estabilidade ou não da globalização depende do comportamento e do desdobramento das batalhas entre esses dois colossos, os quais já começam a guerrear desde o pós-crise de 2008 e 2009, através de ataques de propaganda, retaliação comercial e demonstração de poderio militar. Os EUA após a Guerra Fria se julgaram o xerife do mundo e esqueceram-se do bem-estar do seu próprio povo, ainda que seja em nome desses que participam de inúmeras guerras totalmente evitáveis, se não tivessem abandonados a diplomacia.
Essa posição de polícia do mundo é a principal causa da decadência americana. O custo de sua máquina de guerra é crescente, muito superior ao período da Guerra Fria, no qual havia corrida armamentista e espacial com a URSS pela hegemonia mundial. Sendo que no começo da Guerra Fria os EUA tinham 50% da economia mundial, bem diferente de hoje quando lhes restam apenas 20%. Além disso, enquanto o país vive uma crise severa de desemprego em massa, empobrecimento contínuo nos últimos 30 anos de metade de sua população, endividamento generalizado de seus consumidores, perda brutal de produtividade, aumento acelerado da desigualdade social, o governo aumenta o seu orçamento militar.
Encontra-se
documentado que os EUA abandonaram a diplomacia em favor da indústria da
guerra. O setor industrial de guerra se tornou um dos principais ramos da
economia americana. Esse setor tem determinado o rumo da política externa da
América. O terrorismo islâmico e os governos que os apoiam assumiram o lugar
que antes era do comunismo e da URSS, na Guerra Fria. O foco das atenções da
América foi direcionado ao Oriente Médio, principalmente para o Afeganistão e o
Iraque. Essa região se transformou no campo de batalha dos EUA. Onde se
constatam as guerras mais desastrosas dos EUA, depois do Vietnã e Camboja, no
Sudeste Asiático. Após gastarem somas de trilhões de dólares e resultados
pífios, enquanto se afundaram em guerras evitáveis, sua economia virou frangalho
diante da crescente e poderosa economia chinesa.
A crise de
2008 e 2009 mostrou que a superpotência americana estava desabando, mas a
crença dos americanos no monopólio da virtude, da democracia, do destino
manifesto, de benfeitores da humanidade os cegou para os seus próprios erros,
ou talvez a recusa de não suportar a própria realidade de decadência. Após o
terrorismo islâmico, eles acrescentaram a China e seu comunismo à lista, como
seus novos inimigos. A China há 70 é governado pelo Partido Comunista Chinês.
Porém, o comportamento da China tem sido a diplomacia e alianças
internacionais. Bem distinto da América. Hoje a China negocia com um número de
países muito maior que os EUA. Os EUA abandonaram os Acordos Internacionais do
Clima, a China concordou em participar. Os EUA querem continuar sendo o xerife
do mundo, cuja ação pretende exportar a democracia ocidental e suas
instituições a todos os países do mundo, a China não pretende tornar o mundo,
um mundo chinês, nem sequer exporta revolução comunista aos seus vizinhos.
“A China já
adquiriu condições para fazer valer o seu papel de superpotência no mundo e tem
buscado ampliar a participação nas alianças econômicas, políticas, bem como no
enfrentamento dos problemas climáticos, enquanto os EUA abandonaram os tais
acordos, inclusive estão quebrando unilateralmente os acordos que criaram com
vários seguimentos de países. A continuar nessa baila os EUA estão abrindo um
cenário muito favorável para China aumentar mais facilmente sua influência
mundial. Mas diante dos limites do planeta seria de bom termo que ambas as
potências tivessem uma relação que evitassem maiores efeitos danosos ao mundo.
Não adianta os EUA quererem adotar a mesma estratégia que provocou a derrota da
URSS, não vai funcionar porque a China está numa posição que os EUA estavam no
início da Guerra Fria, e os EUA estão na posição da URSS.”
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