RESENHA DO LIVRO SUPERFUSION: HOW CHINA AND AMERICA BECAME ONE ECONOMY AND WHY THE WORLD'S PROSPERITY DEPENDS ON IT
Superfusão: como a China e a América se tornaram uma economia e por que a prosperidade do mundo depende dela ou Superfusion: How China and America Became One Economy and Why the World's Prosperity Depends on It (No original). Livro de Zachary Karabell, autor, colunista e investidor de Nova York que atuou anteriormente como Chefe de Estratégias Globais da Envestnet, uma empresa de serviços financeiros de capital aberto, publicado em 2009, nos EUA, ainda indisponível em português. Li através do leitor digital Kindle que dispõe de tradução.
Hoje, o mundo vive a Globalização
e o eixo dessa integração econômica é um condomínio chamado Chimérica ou
Superfusão, que significa a união econômica de Estados Unidos e China. Esses
dois países são o eixo da economia mundial. A estabilidade da globalização
depende da estabilidade desses dois países. A China detém o maior volume de
títulos da dívida pública dos Estados Unidos. A China é a maior credora do
governo americano. Do outro lado, os estadunidenses formam o maior mercado
consumidor da produção chinesa. A China produz, empresta, financia e os Estados
Unidos tomam emprestados e compram. É a integração mais profunda do mundo, não
há dúvida de essa integração é o motor da economia mundial. A produção chinesa
tem custos imbatíveis, ninguém consegue oferecer custos de produção mais baixos
que a China, nenhuma país produz de uma máquina de calcular a foguetes
espaciais a preços tão baratos.
De fato, olhando esses aspectos esse condomínio oferece muitas vantagens para eles. Os Estados Unidos continuam prosperando, se desenvolvendo, garantindo todos os seus valores morais e culturais, alto padrão de vida, elevadíssima renda per capita, seu poderio bélico, preservam sua posição de xerifes do mundo e gozam de todas as vantagens por ser um país liberal, (sentido clássico), democrático, judaico-cristão, a China, por seu lado, enriquece numa velocidade acelerada, detêm um comércio altamente vantajoso com os Estados Unidos e o restante do mundo, produz milionários sem parar, torna seus magnatas cada dia mais ricos e poderosos, e a elite governante comunista a mais poderosa do mundo, além de fortalecer assustadoramente sua máquina de guerra. Quanto ao povo chinês observa-se que não precisam do padrão ocidental de bem-estar, depois de tantas guerras, invasões, genocídios praticados pelos estrangeiros e pelo próprio partido comunista, depois de 70 anos de totalitarismo já não resta mais nenhuma oposição ao partido único que consegue manejar o padrão de desenvolvimento de acordo com a visão de sua elite governante. Enquanto, os estadunidenses são os maiores gastadores do mundo, os mais endividados, os mais perdulários, que compram boa parte de tudo que a China produz, do outro lado os chineses são grandes poupadores do mundo, moderados no consumo, cautelosos, resignados a escassez, algo que não existe nem nos Estados Unidos e nem no Ocidente.
Ora, os chineses após trinta anos de crescimento acelerado assumiram a dianteira de maior produção mundial, os capitalistas injetaram maciçamente seus investimentos nas zonas econômicas chinesas, chamados também de oásis capitalistas chineses, transferiram know-how, experiência, tecnologia, padrão de produção, todas as multinacionais foram à China. Atrativos não faltam. A mão de obra mais barata e disciplinada, além do potencial mercado de 1, 4 bilhão de consumidores. Assim, os capitalistas ocidentais se transformaram nos principais parceiros da China. Empresas multinacionais, entidades privadas, corporações mais poderosas do mundo cravaram suas fábricas na China. O governo chinês criou um emaranhado de leis e estratégias para que todos os investimentos estrangeiros fossem vantajosos para o governo, assim todas as empresas que se instalaram nas zonas econômicas tinham que compor capital com uma empresa estatal chinesa e ceder o controle acionário. A engenhosidade dos burocratas e militares chineses deu tão certo que as empresas estatais se transformaram nas maiores empresas do mundo.
Se existe um país que se beneficiou com a globalização foi a China, não lhe falta dinheiro, nem emprego, tecnologia, ciência, poder bélico, prosperidade, bonança, mas o mundo está ganhando também. Todos os investidores estrangeiros se deram bem, os preços de todos os bens de consumo, de produção e de capital caíram em todos os países. A queda dos custos de produção aumentou a concorrência internacional, os juros desabaram na Chimérica ou superfusão e no restante do mundo. O mercado consumidor aumentou rapidamente em todos os países, pois os produtos chineses invadiram todos os mercados nacionais, eles produzem de acordo com o gosto freguês.
Esse condomínio é o novo centro do mundo há mais de duas décadas. A oposição de valores morais e imorais, de direitos e negação, de fé em Deus e no partido que movimentaram o século XX, parece que perderam sentido na globalização. Para o partido chinês o que importa é o crescimento econômico da China, eles querem mercado, querem dividendos, garantias de fornecimento de matérias-primas e recebimentos incessantes de lucros no comércio internacional, basta que a Chimérica continue funcionando. A elite comunista chinesa descobriu como ninguém, que jamais se deve matar a galinha dos ovos de ouro. É um país milenar e testemunhou dezenas de impérios ao longo da história, portanto está na posição de escolher o modelo a seguir.
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